12/03/2008DISCURSO DO DEP. MILTON BARBOSA NA SESSÃO SOLENE DO DIA DO BIBLIOTECÁRIO Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
- Chamada das autoridades –
Minhas Senhoras, meus Senhores
Anatole France, o grande pensador gaulês, ensinou que:
(O jogo da vida é um corpo-a-corpo com o destino. Correr não adianta; é preciso saber partir.)
Na antevisão do escritor, o Dia do Bibliotecário representa uma vitória de vocês na luta com o destino porque estão sempre partindo a tempo, sem perder o trem da vida.
A categoria já provou, faz tempo, que prefere um cargueiro seguro que lance suas amarras no cais de um porto, também seguro, progressista e feliz.
A 1ª partida se perdeu nas brumas do tempo porque a biblioteconomia é uma das profissões mais antigas da humanidade.
A gente sabe que ao longo da história de vocês já houve crises, dissenso, mas os bibliotecários souberam entender que servir só para si é não servir para nada.
A história encontra os senhores no Egito dos faraós, com papiro e hierógrafo, vestidos como escribas, na Babilônia ordenando as placas de argila do sistema cuneiforme e entre fenícios, os maiores comerciantes da antiguidade, servindo aos sábios gregos ou na Roma antiga, berços culturais de nossa civilização.
Os parentes mais próximos do ofício que norteia suas vidas, creio estarem nas práticas estabelecidas pelos monges copistas.
Tão acertadas foram as partidas desta admirável classe que hoje a biblioteconomia é uma ciência da informação pelo seu caráter interdisciplinar e pelo seu objeto de estudo.
Foi duro romper as barreiras que enquadravam o bibliotecário como meros guardadores de livros, eternamente espanando a poeira deles.
Empregando técnicas nunca vistas na catalogação e armazenagem de informações, e do emprego do acervo digital, o bibliotecário fez a biblioteca galgar um novo patamar de serviços que a tornou indispensável à vida dos cidadãos.
Mesmo com os avanços formidáveis, a biblioteconomia nunca deixou de ser a herdeira dos mosteiros medievais no que eles tinham de mais puro e elogiável: a manutenção, a guarda e o respeito pela cultura.
Foram as bibliotecas que nos garantiram a existência de documentos preciosos como, por exemplo, a Bíblia Sagrada. Os pilares culturais da democracia, a lógica de Aristóteles e os diálogos de Platão, verdadeiros monumentos do que chamamos de civilização, são amostras desse acervo de incalculável valor preservado graças ao trabalho dos que vieram antes.
Uma das partidas mais acertadas foi a democratização do acesso, coisa que nenhuma biblioteca antiga permitia, com o argumento de se preservar o patrimônio.
Quem não se lembra do sucesso do italiano Humberto Eco, que abordou esse tema com a maestria de um dos grandes escritores de nosso tempo, no famoso best-seller "Em nome da rosa"!
Hoje, no meio da modernidade da internet, do mundo globalizado e competitivo, vocês estão aqui, sendo homenageados por esta Casa de Leis, orgulhosos e conscientes de sua maior conquista: o trabalho do bibliotecário é uma reconhecida necessidade. Foi-se o tempo do espanador.
Por este sentimento da necessidade de vocês nas nossas vidas, da importância do serviço prestado e da função social desempenhada no conjunto da sociedade, creio que neste dia 12 de março, dia de festa, temos muito para comemorar.
Uma boa comemoração se faz olhando em volta, não só em busca de aplauso, mas no intuito de desenvolver uma visão prospectiva do segmento e da vida como um todo. Nós, aqui em Brasília, dispomos de um incrível arsenal biblioteconômico que, às vezes, se perde nos escaninhos burocráticos, tecnológicos e orçamentários dos três Poderes da República constituídos e sediados aqui no Planalto Central.
Proponho um desafio aos Conselhos Federal e Regional de Biblioteconomia, à Associação de Bibliotecários de Brasília, a todos os Bibliotecários, ao Governo do Distrito Federal, à iniciativa privada e às forças vivas da educação, da cultura e da sociedade do Distrito Federal: viabilizar do ponto de vista legal e prático uma verdadeira rede de bibliotecas, superpondo as diversas esferas administrativas a bem do povo do Distrito Federal e seu Entorno. Como fazer? Como me foi sugerido por vocês: uma Audiência Pública para embasar um projeto vigoroso politicamente e viável do ponto de vista técnico, educacional e cultural.
Nesta oportunidade, ouso parabenizar a classe dos bibliotecários na pessoa da Senhora Iza Antunes, que hoje receberá a outorga do título de cidadã honorária de Brasília. Não quero fazer injustiças, mas avanço mais nalgumas considerações a respeito de nomes que fizeram e estão a fazer história nas "bibliotecas da vida", como o do Professor Aníbal, Neuza Dourado, Maria da Conceição, Roberto Mário e Antonio Miranda que, junto às iniciativas como a Casa do Saber, liderada pelo querido amigo Antonio Matias da Rede Gasol, e outras como a Mala do Livro, a Biblioteca Demonstrativa de Brasília e incontáveis parcerias públicas e privadas, tipo a do Amorin do T-Bone, um entusiasta da leitura e um facilitador do acesso nas paradas de ônibus, por exemplo, a BiblioSesc, que hoje tem um ônibus estacionado aqui na Câmara Legislativa, representam uma lista de 1.200 afiliados no Conselho Regional de Biblioteconomia, dos quais 900 em atividade.
Finalizando, desejo que o dia de hoje seja repleto de esperanças. A mesma esperança que norteou os passos do pioneiro Manuel Bastos Tigre, o primeiro bibliotecário por concurso, no Brasil. Esperança de Manuel Cícero Peregrino da Silva, diretor da Biblioteca Nacional, fundador, em 1911, do 3º curso de biblioteconomia do mundo, aqui também no Brasil.
Esperança numa vida melhor para todos vocês, dançada sinergicamente de mãos dadas em uma ciranda, com pleno gozo de seus direitos, cercados de reconhecimento, compreensão e retribuição justa, como essa bonita sessão solene que eu tive a honra de propor, até porque essa homenagem a sociedade lhes deve.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito Obrigado.